Por volta das 23h00m do dia 26 de agosto de 2012, teve início um incêndio no antigo prédio da Receita Federal, localizado na Travessa Gaspar Viana, nº 485, na esquina da Av. Presidente Vargas, no centro de Belém-PA. Na época, o edifício era a sede do Ministério da Fazenda no Estado do Pará, onde funcionava a Receita Federal e outros orgãos públicos (CGU, SERPRO, ABIN/PA, MP). Em função dos danos observados, após o sinistro foi  contratada  em dezembro de 2012,  uma empresa de engenharia para realizar uma avaliação técnica da estrutura, abrangendo a elaboração de laudo estrutural e projetos de recuperação e reforço da mesma.

Em 31/20/2015 o prédio foi cedido ao Tribunal Regional do Trabalho da Oitava Região (TRT8 – Pará e Amapá), e em 31/08/2016 o TRT8 contratou a Dynamis Techne para fazer uma reavaliação do projeto de recuperação, reforço estrutural e análise das fundações do prédio, com base em novas inspeções, ensaios, e simulações computacionais.

Imagens das fachadas do edifício:

O imóvel é de propriedade da União desde 28/09/1976, possui 18 pavimentos e uma área construída de 15.218m². De acordo com o 4º Grupamento de Bombeiro Militar – PA:

O incêndio iniciou por volta das 23h00 no 7º andar e se alastrou até o 15º andar. Cerca de 83 Bombeiros atuaram durante toda a madrugada e só conseguiram controlar o sinistro por volta das 05h00 da manhã desta segunda-feira (27) [dia seguinte ao início do incêndio]

Leia mais: http://4gbm-pa.blogspot.com/2012/08/incendio-predio-receita-federal.html#ixzz4JtCqXrhE

Alguns dos ensaios que estão sendo realizados pela Dynamis Techne, para avaliação das propriedades do concreto:

A Dynamis Techne foi contratada para realizar os seguintes serviços:

  1. Análise preliminar dos documentos de projeto – esta atividade consistiu em uma análise preliminar dos documentos de projeto de reforço existentes (plantas de mapeamento de patologias, projeto estrutural de reforço, memórias de cálculo, especificações técnicas, etc) a fim de se permitir uma avaliação inicial dos danos observados e das soluções propostas, orientando o prosseguimento dos trabalhos;
  2. Inspeção visual da estruturaesta atividade consistiu na realização de uma nova inspeção visual da estrutura, com registro fotográfico, a fim de se verificar o estágio atual dos danos, e de modo a se registrar as patologias críticas (sobretudo no que diz respeito à presença de fissuras, trincas, exposição de armaduras, perdas de seção, etc) que poderiam estar comprometendo a segurança estrutural da edificação;
  3. Elaboração de modelo computacional – nesta etapa foi criada uma idealização (modelagem) computacional da estrutura utilizando o Método dos Elementos Finitos, com base na análise linear estática e modal da mesma. As ações  consideradas nos modelos foram carga permanente (peso próprio dos elementos estruturais e não estruturais, etc), sobrecarga, variações de temperatura, retração, e vento. A análise linear estática permitiu a determinação dos esforços internos (esforços normais, esforços cortantes e momentos fletores), deslocamentos e reações de apoio da estrutura, para verificação das fundações. Especial atenção foi dada ao efeito da variação de temperaturas, em valores extremos, conforme ocorre em situação de incêndio. Foi realizada também uma análise modal (análise de vibração livre), a qual permitiu uma avaliação do comportamento dinâmico da estrutura, através da determinação numérica de suas propriedades dinâmicas (frequências naturais de vibração e respectivos modos de vibração);
  4. Verificação do projeto estrutural de reforçoA partir dos resultados do modelo computacional (esforços nas lajes, vigas e pilares) foi feita a verificação do projeto estrutural de reforço previamente elaborado, a fim de verificar a conformidade com os critérios normativos da norma NBR6118 (Projeto de estruturas de concreto), permitindo a identificação dos elementos críticos da estrutura, levando em conta também a NBR 15200 (Projeto de Estruturas de Concreto em Situação de Incêndio);
  5. Verificação das fundações – A partir dos resultados do modelo computacional (reações de apoio/ esforços nas fundações) foi feita uma avaliação dos esforços transmitidos para as fundações do edifício, a fim de verificar se as mesmas sofreram esforços adicionais em razão dos deslocamentos causados pela dilatação da estrutura, e eventual redistribuição de cargas nos pilares;
  6. Ensaio para avaliação superficial das propriedades do concreto – esta atividade consistiu na medição de dureza superficial do concreto com esclerômetro, visando a estimativa da resistência a compressão e módulo de elasticidade.
  7. Ensaio para avaliação das propriedades do concreto por ultrassom – esta atividade consistiu na avaliação das propriedades do concreto através da utilização de ultrassom, a partir da medição de velocidade de propagação de onda, permitindo avaliar a resistência e módulo de elasticidade do concreto não apenas considerando medidas de superfície (esclerometria), mas considerando a seção estrutural como um todo.
  8. Extração e ensaio de testemunhos de concreto com ensaio de resistência a compressão e módulo de elasticidade – esta atividade consistiu na extração de testemunhos, e posterior realização de ensaios em laboratório, para determinação de resistência à compressão e módulo de elasticidade destes corpos-de-prova.
  9. Ensaio para identificação de disposição das armaduras e recobrimento do concreto – esta atividade consistiu na utilização de pacômetro para identificar a disposição e o diâmetro das armaduras presentes nas vigas e pilares. Com este ensaio determinou-se também a espessura de recobrimento das armaduras, permitindo uma verificação do atendimento a critérios normativos;
  10. Ensaio de carbonatação do concreto – este ensaio consistiu na identificação da existência ou não do processo de carbonatação, no qual a formação de carbonato de cálcio causa a redução do pH do concreto, possibilitando a despassivação da armadura, e podendo levar à corrosão da mesma.
  11. Ensaio de potencial de corrosão – este ensaio consiste no uso do método do potencial de corrosão de meia célula, na investigação e avaliação da corrosão da armadura do concreto. A corrosão da armadura disposta no interior de um elemento em concreto armado é um processo eletroquímico. Este processo corresponde a um elemento galvânico (como uma pilha, por exemplo) em que se produz uma corrente elétrica, possível de se medir como se fosse um campo elétrico existente na superfície da estrutura. A detecção de zonas de corrosão, através de medição de potenciais emprega essencialmente uma semi-célula (eletrodo) em contato com a superfície, contendo no seu interior uma solução de cobre/sulfato de cobre. Através de medições em toda a superfície em estudo, pode-se obter uma distinção de locais de possível corrosão.
  12. Execução de provas de cargas – esta atividade consiste na execução de provas de carga nas regiões consideradas críticas da estrutura, as quais foram previamente identificadas a partir dos resultados dos ensaios realizados e dos resultados da modelagem computacional. As provas de carga serão realizadas com carregamentos provenientes de cilindros hidráulicos, fixados a um sistema de reação com vigas metálicas e tirantes do tipo Dywidag;
  13. Ensaio para determinação dos esforços em pilar– Para os pilares, em função da dificuldade de realização de prova de carga que represente o efeito total das sobrecargas, foi realizada uma instrumentação visando a determinação das tensões permanentes, a partir de técnicas de alívio de tensões no concreto. A metodologia empregada, desenvolvida e testada pela Dynamis Techne, consiste na execução de instalação de sensores de deformação (strain gages) nas arestas do pilar, e posterior extração das mesmas, a fim de medir a descompressão do concreto, revelando assim o estado pré-existente de tensões;
  14. Monitoração das vibrações esta etapa abrangeu a instalação de acelerômetros na estrutura e realização das medições de aceleração para determinação de níveis de vibração, e frequências naturais e correspondentes modos de vibração, para verificação do atendimento a limites normativos da NBR6118:2014 (Projeto de Estruturas de Concreto) e NBR15307:2005 (Ensaios Não Destrutivos – Provas de Cargas Dinâmicas em Grandes Estruturas – Procedimento);

Extração de testemunhos para posterior análise em laboratório:

 

Conheça outros trabalhos da Dynamis Techne referentes a avaliação de edifícios: